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ALFARRÁBIOS _ Roberto Fortes


ACADEMIA VALERRIBEIRENSE DE LETRAS

Uma foto histórica: nasce a Academia Valerribeirense de Letras.

No último sábado, dia 31 de outubro, no Auditório do KKKK, em Registro, escritores, poetas e jornalistas do Vale do Ribeira participaram do I Encontro Literário que teve por objetivo discutir a fundação da Academia Valerribeirense de Letras e a publicação de uma antologia literária a ser lançada na Bienal do Livro de São Paulo, em agosto do próximo ano.

 

 

 

Participaram do encontro cerca de trinta futuros acadêmicos, entre os quais,  Jehoval Júnior, Osvaldo Matsuda, Paulo de Castro Laragnoit, Julio Silva, Roberto Fortes, Júlio César da Costa, Lázaro Nascimento, Luiz dos Passos, Luiz Marco, Marcos Mendes, Deco, Lelis Ribeiro, Paloma dos Santos, Laerte Araujo, Josué Valentim, Cláudia Oliveira Hengler, Marcelo Plácido, Adail Alves de França Júnior, Wanderson Vieira Lopes, Erich Villas Boas, Sônia Maria Pedroso dos Santos, José Carlos de Alencar Júnior, Johnny de Oliveira (Pequeno), Genésio Júnior e Tiago Marques de Oliveira.

 

 

 

Também já confirmaram a participação na Academia Valerribeirense de Letras os seguintes nomes: Filomena Aparecida da Silva (Filó), Sesary Roberto de Oliveira, José Vicente Carneiro Filho, Mônica Bockor, Camilo Aparecido Almeida, Janaína Barbosa, Renato Cavalheiro, Luciano Vitor Dias Liberato, Jack Sawyer, Hadasa, Edson Feitosa de Lima, Selmo Mimo de Oliveira, Hermann Wolpert, Ídolo de Carvalho, Nestor Rocha, Álvaro Ribeiro Domingues, Antônio Lara Mendes, Gastão Ferreira, José Sant´Anna Xavier e Lauriano dos Santos.

 

 

O próximo encontro dos literatos será na Expovale, em Registro, quando os futuros acadêmicos terão à sua disposição um estande onde serão expostos os seus trabalhos literários.

 



Escrito por Roberto Fortes às 21h11
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"FAVELINHA EU TE AMO!"

Capa de "Favelinha eu te amo!".

O escritor, poeta e artista plástico miracatuense Osvaldo Matsuda (também membro da Academia Valerribeirense de Letras), meu prezado e particular amigo, acaba de lançar o seu mais recente livro: “Favelinha eu te amo!”, pela Print Editora. São cem pequenos contos que enfocam dezenas de personagens que vivem na Favelinha, como o Fritz, o Mala, o Malinha, o Malão, a Dona Plástica, entre muitos outros. A leitura é deliciosa, daquela que a gente lê de uma tacada só. O livro pode ser adquirido nos sites: www.saraiva.com.br e www.submarino.com.br. Contato com o Autor: osvaldomatsuda@bol.com.br.

 

Osvaldo Matsuda.



Escrito por Roberto Fortes às 21h05
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CRUZEIRO DAS NEVES

Cruzeiro antes da mutilação.

Logo nos primórdios da colonização portuguesa em Iguape, veio para cá, por volta de 1537, um cruzeiro de pedra, esculpido em Portugal, que foi colocado em frente à primeira igreja dedicada à padroeira Nossa Senhora das Neves. Com mudança do povoado, do bairro do Icapara, onde foi originalmente estabelecido, para o local atual, às margens do Mar Pequeno, o cruzeiro foi colocado em frente à segunda Igreja de Nossa Senhora das Neves, construída a partir de 1614 e demolida em 1858. Posteriormente, esse cruzeiro foi para o Cemitério São Miguel e, a partir da década de 1970, ficou no Museu Municipal.

Por ocasião das comemorações dos 500 anos do Brasil, o cruzeiro foi colocado, na Orla do Mar Pequeno, sobre um artístico pedestal de alvenaria, construído nos moldes das pilastras do átrio da Basílica. Esse monumento comemorativo foi inaugurado em 22 de maio de 2000, na gestão do então prefeito Jair Young Fortes, sendo parte integrante da “Praça Brasil 500 Anos”.

 

Por ordem do todo poderoso Condephaat (o mesmo Condephaat que sempre foi omisso quanto às destruições do patrimônio histórico em Iguape) o coreto da Praça da Basílica, construído em 1997, foi demolido em setembro deste ano. Para “tampar” o buraco, a Administração Municipal decidiu retirar o cruzeiro de onde estava colocado e (re)colocá-lo no lugar do coreto.

 

 

Muitos iguapenses acharam despropositada essa trasladação. Se o cruzeiro estava abandonado (como de fato estava), bastaria que a Administração Municipal providenciasse a sua manutenção, ao invés de quebrar o pedestal onde fora colocado, e transferir o cruzeiro para a Praça da Basílica, onde foi (re)colocado sobre um pedestal que nem de longe se compara com o anterior. Muitos munícipes perguntam se é lícito destruir um monumento inaugurado por um prefeito anterior para ser (re)inaugurado pelo prefeito da vez.

 

 

Alguns questionam se a trasladação desse cruzeiro foi devidamente autorizada pelo Conselho do Patrimônio Histórico de Iguape, recentemente empossado. Ainda mais agora quando Iguape receberá, no próximo dia 3 de dezembro, o cobiçado título de “Patrimônio Cultural do Brasil”.

 

 

Diz o vulgo que é de bom alvitre que a Administração Municipal nem pense em mexer com o Obelisco do IV Centenário, inaugurado em 1938, pelo então prefeito Manoel Honório Fortes. Certamente, o povo iguapense pegará em armas.

 

 

Cruzeiro depois da mutilação.

 



Escrito por Roberto Fortes às 20h50
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Desastre anunciado em Iguape

 

O desabamento da cobertura do Sobrado dos Toledos, na cidade, não é fruto de descaso iguapense; poderia ocorrer em qualquer outra localidade brasileira. Nossa sociedade vista como um todo, englobando ricos e pobres, letrados e analfabetos, escuros e branquelas, “quatrocentões” e imigrantes recentes, certamente não pode ter uma única e generalizada acepção do que seja um bem cultural arquitetônico nacional. Sobretudo se ele foi apenas escolhido pelos órgãos oficiais de preservação de nosso dito Patrimônio Histórico e Artístico.

A razão disso está no multifacetado universo mental da população que não se comove com as seleções perpetradas por pessoas categorizadas chamadas pelos governantes para compor conselhos responsáveis pela definição do elenco representativo de nossa cultura material. Além do descompasso no julgamento de validades estéticas atribuídas aos bens escolhidos para tombamento, há entre as pessoas de pé no chão a sensação desconfortável do prejuízo dos proprietários alcançados pela providência de salvaguarda do Patrimônio.

Nessa hora, há muita solidariedade e há, também, o pensamento: quem tomba, que tome conta. Na verdade, tudo isso induz a uma ampla indiferença às preferências dos doutos conselheiros culturais. Não só indiferenças, mas também desacordo, que pode levar à desatenção às determinações legais e igualmente às da cidadania. O mal de tudo é que muita gente finge que aceita os bens classificados, nem tão belos nem tão históricos, segundo seu julgamento, porque não deseja passar por ignorante ou desatenciosa no convívio social com os seus pares ou com seus eleitores ou subordinados.

Isso é o pior que pode acontecer perante a notícia do perigo que corre um monumento tombado de desabar por abandono e descuido de sua estabilidade. Nesse momento crítico, todos ficam aparentemente condoídos e lastimosos, chorando a perda iminente da herança cultural, mas não há a vontade explícita de enfrentar o problema, vontade que até poderia ser política.

Derramam-se lágrimas de crocodilo e ninguém faz nada, ninguém tenta levantar a opinião pública a favor de um bem que, por ser cultural, é de interesse social e pertencente à cidade toda. Não é fora de propósito, por exemplo, uma coleta pública de dinheiro para aquele fim patriótico de preservar a memória dos antepassados. Enfim, essas linhas nasceram de nossa indignação ao receber a informação do desabamento total da cobertura do Sobrado dos Toledos, ocorrência há muito prevista pela valente “Tribuna de Iguape”, que, para usar um chavão, ainda não se cansou de pregar no deserto.

Iguape tem uma história que nos vem desde os tempos de Martim Afonso e, também, dos peruleiros do século 16, contrabandistas de prata capitaneados por Rui de Mosquera; dos garimpeiros de ouro no alto Ribeira de Iguape desde o começo do século 17. A partir do início do século 19, o esplendor chegou à cidade com a riqueza trazida pelo cultivo do arroz. Entre o terceiro e o último quartel daquela centúria, Iguape era maior e mais rica que Santos, mantendo contato direto e frequente com o Rio de Janeiro, recebendo e fruindo de todas as novidades da corte.

Desde logo, engalanou-se de nobres sobrados de pedra e cal equipados com o mais rico mobiliário Luís Felipe, como era a moda. Louçaria também de origem francesa e muita prata lavrada. Jornais e ativa vida teatral.

No início daquele cenário de euforia, no segundo quartel do século, o vereador Toledo levanta o seu magnífico sobrado, não no estilo costumeiro, mas na nova manifestação estilística, o neoclássico trazido pelos artistas franceses chegados com D. João 6º. Pelo que sabemos, esse edifício é a primeira construção paulista derivada das lições do arquiteto Victor Grandjean de Montigny, o renovador de nossa arquitetura. É um exemplar importante de nossa história.

Com o passar do tempo, aquela vasta residência foi acabar nas mãos da Igreja, por sinal, bastante rica graças ao renome dos milagres do Senhor Bom Jesus, cuja imagem até agora venerada foi achada na praia da Jureia em 1647. Sua festa, em agosto, sempre levou à cidade milhares de romeiros, cujos barcos atulhavam o porto. Vinham embarcações não só dos litorais norte, isto é, do Rio, de Ubatuba, Santos e Itanhaém, mas também e, principalmente, do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

Até o padre Guilherme Pompeu de Toledo, o opulento financiador dos bandeirantes do século 17, abalou-se de Santana de Parnaíba, no planalto, para verificar e aquilatar aquela fama milagreira e, talvez, apenas rezar, por mera manifestação da fé, já que não precisava de milagres de nenhuma natureza. O enorme afluxo de romeiros por três séculos, que costumavam acampar atrás da basílica, logo transformam o nosso sobrado em hospedaria improvisada destinada primordialmente a mulheres e suas crianças.

Sobretudo depois de seu tombamento pelo Condephaat, o imóvel histórico não mais recebeu trato algum. A Igreja, a proprietária, que sempre ganhou de presente tudo o que possui, devolveu ao povo, isto é, à prefeitura, a construção periclitante na forma de um comodato, tendo em vista sua reconstrução. Em resumo: o telhado desabou e as paredes desamparadas balançam com o trepidar dos veículos pesados.
Os leões de louça no alto dos cunhais da fachada, que tanto encantaram, em 1858, o viajante Robert Ave-Lallemant, olham para baixo preocupados com a altura a ser vencida brevemente em queda livre. Seus cacos certamente serão distribuídos às crianças da cidade pelos omissos, que sempre olham de lado, como lembranças inúteis daqueles que já se foram e que hoje dormem profundamente, como nos contou o poeta Manuel Bandeira; porque o mundo é dos vivos.

Sabemos que o leitor já intuiu que essa imagem poderá ocorrer em qualquer localidade brasileira, evidentemente o descaso não é apenas iguapense. É nacional. Essa ocorrência em Iguape não passa de um pretexto para um desabafo.

CARLOS ALBERTO CERQUEIRA LEMOS, arquiteto, é professor de pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

(Fonte: "Folha de São Paulo", de 09-10-2009, Caderno Ilustrada)



Escrito por Roberto Fortes às 13h43
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CHARGE

 



Escrito por Roberto Fortes às 11h44
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Pois é... o telhado caiu!

 

 

Sobrado dos Toledo. Foto: Gastão Ferreira.

 

De nada adiantaram os insistentes apelos publicados na imprensa local e regional, ao longo dos últimos anos. Na madrugada de 30 de julho, quinta-feira, o telhado do “Sobrado dos Toledo” (também conhecido por “Sobrado do Santo”, por ter sido doado ao Santuário do Bom Jesus, em 1931, por dona Anna de Toledo Aguiar, com a finalidade de abrigar romeiros carentes, quando das festividades do Padroeiro) o telhado do sobrado, finalmente, desabou.

 

 

Poderíamos intitular esse fato como a “crônica de um desabamento anunciado”. E anunciado por muitos, muitos anos. Quem deveria conservá-lo, ou seja, o Poder Público municipal, por força de comodato assinado em 2002, preferiu relegar o sobrado ao mais completo e sórdido abandono. Até mesmo ação pública existente no Fórum para que o imóvel fosse conservado, também não deu em nada, até o momento. Mais um imóvel tombado caiu ao chão. “Tombado”, literalmente.

 

Tanto se fala em preservação do patrimônio histórico, nesta cidade. Condephaat. Iphan. Oficina de restauro. Tantos discursos vazios e laudatórios, tantos “nunca se fez tanto”, etc... E um fato indiscutível, indesculpável, que entrará para os anais da cidade como prova cabal de negligência, omissão e descaso, um fato irretocável é, simplesmente, que o telhado do “Sobrado do Santo” desabou. Não resistiu às chuvas que vem castigando a região há quase duas semanas. Não resistiu à incúria. Não resistiu ao pouco caso. Não resistiu ao desprezo que lhe foi destinado sabe-se lá por que incógnitas razões.

 

Como não adianta chorar sobre o leite derramado, só resta lamentar essa triste ocorrência. Não sei se valeria a pena alguém encaminhar denúncia ao Ministério Público; afinal, trata-se de imóvel tombado pelo Condephaat, portanto, legalmente, deveria ser protegido pelo Poder Público. Até a Justiça dar um parecer a respeito, certamente os dois leões e a América, que tanto encantaram Avé-Lallemant, já estarão por terra, “tombados”, igualmente, pelo descaso, pela incúria, pela negligência do Poder Público. Lamentável. Simplesmente, lamentável.

 

“Aqui outrora retumbaram hinos”...



Escrito por Roberto Fortes às 13h39
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O Valo Grande... e a “Vala Grande”

 

O Porto Grande (ou o mato sob o qual está escondido o Porto Grande).

 

1827 – A Câmara Municipal autorizou o início da construção de um canal que ligasse o Rio Ribeira ao Mar Pequeno. Tinha por finalidade facilitar o transporte das sacas de arroz, através de carroças, do Porto do Ribeira ao Porto Grande, de onde seriam escoadas para Santos, Rio de Janeiro e portos do sul do país. Mal planejada, transformou-se numa aberração da engenharia. De pequena vala de apenas dois metros de largura, transformou-se num canal de mais de duzentos metros, deixando temerosa a população por mais de um século. O assoreamento provocado pelos desbarrancamentos e pela areia trazida pelo Ribeira encarregaram-se de inutilizar o antigo Porto de Iguape. Foi um dos motivos do tão discutido e controvertido processo de decadência de Iguape.

 

Valo Grande: um desastre da (falta de) engenharia.

 

2009 – A Prefeitura Municipal quebrou o asfalto da Av. Adhemar de Barros, na altura da Loja Lumar, e construiu uma valeta, acredita-se que para o escoamento de água fluvial, haja vista que esse trecho da avenida sempre fica alagado quando chove muito. Alvo do protesto de muitos – que tiveram seus automóveis avariados – a polêmica valeta passou a ser chamada de “Vala Grande” e entrou para o anedotário local. Aberração da engenharia, o cimentado da “Vala Grande” não suportou o intenso tráfego de veículos da avenida e começou a se esfarelar. Com as últimas chuvas, a galeria sob a calçada rompeu-se totalmente, prejudicando o tráfego e certamente preocupando os proprietários dos estabelecimentos próximos.

 

“Vala Grande”: um desastre da (falta de) engenharia.

 

Conclusão: De 1827 a 2009, parece que as coisas pouco mudaram em Iguape...



Escrito por Roberto Fortes às 13h18
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A HIPUPIARA DE CANANÉIA

A hipupiara de São vicente, em 1564.

 

 

O horroroso monstro marinho foi visto por vários moradores enquanto parecia vadiar ao calor do sol. Depois, diziam, a besta retirava-se para o poço de um rio que vertia das fraldas do monte Itapitangui e desaguava no mar.

 

 

– É a besta fera que surgiu do mar, conforme está escrito no Apocalipse – explicava o pároco, no púlpito da Igreja de São João Batista, aos seus assustados paroquianos. – É a profecia que começa a se cumprir. Fiquemos, pois, de vigia, meus filhos, que o fim está próximo!

 

 

Aquele ano de 1733 entraria para os anais de Cananéia como o ano em que apareceu na vila o monstro que os bugres do lugar chamavam de Hipupiara. “Coisa má que anda n´água”.

 

 

O capitão da vila, homem de certa instrução, não deu crédito a essa história.

 

 

– Não creio na veracidade desse relato. Para mim, isso está a me cheirar a lorota de bebedores de água ardente, esse líquido maldito que contamina as veias desta Capitania de São Paulo.

 

 

– Muitos foram os que juram pela cruz terem visto essa besta abominável a se lagartear na praia ocidental da vila.

 

 

– Histórias de bugres e de bêbados.

 

 

O cura da vila discordava do capitão.

 

 

– Gândavo registrou, em sua crônica da província de Santa Cruz, sobre o aparecimento de uma hipupiara na Vila de São Vicente, no ano de 1564. A julgar pelas suas descrições, não tenho dúvidas de que se trata da mesma qualidade de besta. E muito menos tenho dúvidas de que as profecias estão finalmente a se cumprir.

 

 

O povo se dividiu em dois grupos. Os que ao menos sabiam rabiscar o nome, tomaram o partido do capitão. Os mais crentes e o populacho, deram razão ao pároco.

 

 

– Das coisas de Deus e do Diabo, quem entende mesmo é um vigário de Cristo. Se a besta fera, a que vulgarmente chamam de Hipupiara, é coisa do demônio, então o padre tem toda a razão. Não há o que duvidar. A besta é obra do Maligno.

 

 

Os comentários garantiam que Pedro Tavares, valente caçador, estava a reunir uns camaradas para darem cabo da fera. Assim determinado, o enfrentador de bestas retirou da canastra de jacarandá lavrado o bacamarte que fora de seu finado avô, ajuntou umas bolas de chumbo que ele mesmo derretera, pegou o chifre de boi que continha a pólvora. Os demais camaradas se armaram de paus e pedras.

 

 

– Vejamos se essa besta façanhuda resiste a uma boa dose de chumbo grosso no meio das fuças – disse Pedro Tavares aos seus camaradas e ao povo que, entre curioso e apreensivo, acompanhava os preparativos da expedição.

 

Matar uma besta fera nunca foi tarefa das mais fáceis. Ainda mais uma besta como aquela. Diziam que se assemelhava a um homem. Até “aquilo” era parecido com o similar humano.

 

 

Relata a crônica que o monstro tinha a cabeça e o corpo de um touro. Media treze pés de comprimento e nove de grossura. O pescoço levantado media três palmos de comprido e cinco de grossura. Glândulas encarnadas destacavam-se na horrível caraça, que tinha viseira e crinas inclinadas sobre a moleira. As orelhas, também escarlates, de um palmo de altura, eram semelhantes às do homem. No lugar dos cornos tinha uns calos duros, altos e negros. Os olhos, redondos e com as meninas pretas; a circunferência encarnada. As ventas abertas eram do tamanho de um punho. A bocarra, rasgada. Os beiços, grossos e rubicundos. As queixadas, com poucas barbas, grossas e duras. Os dentes, largos, unidos e cortantes, seguidos de uma língua redonda. Os braços e pernas, três palmos de compridos e pouco menos de largura. Seus cinco dedos eram de meio palmo de compridos; as unhas, negras, grossas e quadradas. A calda, de três palmos de comprido, acabava em duas pontas abertas, que eram peladas, lisas e encarnadas. O corpo, todo frisado de pelo curto, macio e acastanhado... E por aí prosseguia a crônica, pródiga em detalhes.

 

 

O que despertou mesmo a curiosidade do povo foi a descrição das partes íntimas da besta, cuja semelhança com a genitália humana faria corar até a mais escandalosa das rameiras da vila. Pudico, o cronista não se atreveu a descrever “aquilo” na língua de Camões. Buscou socorro e providencial recato na língua de Cícero:

 

 

“(...) cum sit immodicec longum: altamen genitale hominie simile (...)”

Após árdua e perigosa caçada, com o risco da própria vida, Pedro Tavares e seus camaradas conseguiram dar cabo da fera. Ali mesmo, na praia ocidental da vila, procederam à dissecação da besta, inclusive registrando as suas medidas o mais fiel possível, a despeito de só assinarem os nomes fazendo uma cruz no papel. O grito da fera, que se fez ouvir por toda a vizinhança, era similar ao berro do boi. Contam que do gordo de suas carnes se derreteu “abundante e claríssimo azeite”.

 

 

– A história da caçada da besta se perpetuará por gerações – dizia o povo –, e os vindouros haverão de se recordar do valor de nossos pais e avós. A bravura de Pedro Tavares e seus camaradas ficará registrada ad aeternam nos anais da Vila de São João Batista de Cananéia!...

 

 

Muitos anos depois, em sua “Descrição primeira em que se tratam os casos memoráveis acontecidos nesta Vila de Cananéia, desde sua criação até 31 de dezembro de 1787”, o vereador Luiz Antônio de Freitas, exímio latinista, não pretendendo deslustrar a história de seus ancestrais, mas antes, “para acreditar”, anotou em sua memória estes versos:

 

 

“Sic Protector parcit in lictoris 

Phocas et possuit fluctibus in pisces”. (*)

__________


(*) “Assim o Protetor espalhou no litoral as focas e colocou nos rios os peixes”.

 

(Esta é uma obra de ficção, baseada nas “Memórias Memoráveis de Cananéia”, resgatadas por Antônio Paulino de Almeida).

 



Escrito por Roberto Fortes às 20h25
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O AMOR VALE OURO

 

Iporanga: Foto: Instituto Geológico.

 

 

Morro das Avencas, Freguesia de Sant´Anna de Iporanga, distrito de Santo Antônio das Minas de Apiaí.

 

 

O sol estava abrasador naquele dia. Negro Tião suava por todos os poros. O corpanzil cheio de músculos, protegido apenas por um calção de algodão cru, parecia refletir a luz do sol e conferia-lhe um aspecto diáfano. Havia semanas que garimpava no morro, perdido naquela solidão que, conquanto lhe angustiasse o espírito, dava-lhe as forças necessárias para prosseguir na cata do ouro.

 

 

Vez ou outra, negro Tião dirigia o olhar vidrado na direção de um ponto incerto no meio da mata fechada. Ele não olhava para algo. Pensava, sim, na negra Marcolina. Crioula vistosa, as carnes generosas, o sorriso no qual os dentes muitos brancos, muitos aparelhados, semelhavam a pérolas engastadas, os olhos negros e brilhantes que nem duas jabuticabas colhidas de há pouco. Negro Tião conhecera Marcolina logo que chegara à fazenda de sinhô. Viagem longa, sofrida, diretamente do mercado do Valongo, no Rio de Janeiro, para a Freguesia de Sant´Anna de Iporanga.

 

 

Quando Tibúrcio, o capataz, atirou negro Tião dentro da senzala escura e infecta feito um cão sarnento, assim que os seus olhos se acostumaram com o negrume do lugar, negro Tião percebeu o vulto daquela negra bonita, sestrosa, o sorriso que parecia uma tocha acesa. Era Marcolina. Amor à primeira vista. E amor logo correspondido. Começaram a se encontrar às escondidas. O capataz, homem bruto, estava de olho na negra. Os outros negros também não disfarçavam o interesse por Marcolina. Negra bonita, disputada.

 

 

Apesar de todas as precauções, o namoro chegou aos ouvidos de sinhô. O capataz trouxe negro Tião à presença do fazendeiro. Sentado em sua cadeira de madeira de lei trazida do Reino, sinhô parecia um rei, ali, sentado, na sala principal da casa-grande. Desde que mandara buscar mais escravos no Rio de Janeiro, sinhô notara a robustez de negro Tião. Negro forte, parrudo, as patacas das pernas grossas. Negro trabalhador, próprio para as catas do ouro.

 

 

– Sinhô qué falá com ocê, negro infistulado! Vamos sem mais demora, se não quiser ter o lombo lavrado de chibatadas. Vamos!

 

 

 A distância entre a senzala e a casa-grande era de uns duzentos metros. Negro Tião seguia curioso. Não se lembrava de ter relaxado na lida. Nunca ficara no tronco, apesar de notar a antipatia do capataz por sua pessoa.

 

 

– É porque o meu nego é trabaiadô – dizia-lhe Marcolina. – Esse desgranhado do Tibúrcio fica me acercando, quer ficar de safadeza comigo. Ele sabe de nóis, daí fica com inveja de meu nego...

 

 

Devia ser isso. Tibúrcio chegou aos ouvidos de sinhô com a história dos dois. Agora, sinhô devia estar fulo da vida. Queria negro para suar na lida e não para vadiar com negra que também devia estar na lida. Sinhô tinha o coração duro que nem pedra, ele sabia. Mas todo cristão também tem que ter um pouco de misericórdia. Negro Tião pediria autorização para se casar com Marcolina. Sinhô e sinhá seriam os padrinhos. Sinhá era boa, faria a cabeça de sinhô.

 

 

– Então, negro safado, ao invés de lidar na roça, fica de vadiação com a Marcolina... – a voz de sinhô era seca, metia medo. – Negro Tião está querendo é levar umas boas chibatadas no meio do lombo... Tibúrcio, prepare o tronco!

 

 

– Sinhô deixa eu casá com Marcolina... Tião vai trabaiá dobrado... Sinhô mais sinhá fica sendo padrinho de nóis...

 

Sinhô deu um sorriso maligno, os olhos irradiavam um brilho estranho.

 

 

– Eu te dou a Marcolina, negro folgado... E até eu mais sinhá poderemos ser padrinhos...

 

 

Negro Tião engoliu em seco. A gente se engana com as pessoas. Sinhô era homem bom. Marcolina seria sua. Os dois seriam felizes, teriam muitos crioulinhos, todos abençoados pela Virgem do Rosário.

 

 

– Quero o peso da negra em ouro! – exigiu sinhô.

 

***

 

Morro das Avencas. Morro do ouro. E ouro encoberto, do qual só negro Tião sabia o paradeiro. Dias, semanas, meses se passaram. Negro Tião catava o seu ouro, ia enchendo os alforjes. Quando ajuntou o combinado, amarrou o seu tesouro no lombo da mula magra e cansada. Em um dia de viagem chegaria à casa-grande. Sinhô, homem sisudo, até esboçaria um sorriso na cara enferruscada.

 

 

– Vamos, homem! – sinhô certamente lhe diria – Dá-me cá o meu ouro e abrace a sua futura esposa!...

 

 

Negro Tião seguia feliz pela trilha em direção à fazenda. Podia imaginar a felicidade de Marcolina. A sua negra, bonita, sestrosa. Sinhô até deixaria eles morarem fora da senzala, numa casinha de taipa de pilão coberta por palha de jiçara, que negro Tião levantaria às margens do rio Iporanga.

 

 

Sim, sinhô tinha confiança nele. Sabia que ele encontraria ouro. Pois sinhô seria louco de mandá-lo catar ouro, sozinho, no meio do sertão, se não lhe tivesse confiança? Negro fugido, não. Negro da confiança de sinhô.

 

 

Ao se aproximar da fazenda, negro Tião fez estancar a sua mula. Olhou ao longe. Perto da senzala, discerniu o vulto de Marcolina, que acenava para ele toda feliz da vida. Até o sorriso da negra ele conseguiu distinguir, apesar da distância.

 

 

Mas ele não foi em frente. Puxou as rédeas e fez a mula mudar de direção. Negro Tião mudara também de idéia. Seguiria para Iguape. Lá, pegaria um barco para o Rio de Janeiro. Na Corte, instalado num palacete assobradado e cercado por sua escravaria, negro Tião viveria como um sinhô. E teria para si muitas Marcolinas.

 

 



Escrito por Roberto Fortes às 20h06
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A ESTRÉIA DE FRANCISCA JÚLIA

Em 1895, apareceria primeiro livro de Francisca Júlia, “Mármores”, reunindo sonetos publicados na revista “A Semana” de 1893 até aquele ano, obra custeada pelo editor Horácio Belfort Sabino. Prefaciado por João Ribeiro, consagrado crítico da época, o livro causou sensação nas rodas culturais de São Paulo e Rio de Janeiro. Francisca Júlia, no verdor dos seus 24 anos, realizava o grande sonho de infância. Olavo Bilac, já então festejado poeta, numa crônica emocionada, destacou:

"Em Francisca Júlia surpreendeu-me o respeito da língua portuguesa, não que ela transporte para a sua estrofe brasileira a dura construção clássica: mas a língua doce de Camões, trabalhada pela pena dessa meridional, que traz para a arte escrita todas as suas delicadezas de mulher, toda a sua faceirice de moça, nada perde da sua pureza fidalga de linhas. O português de Francisca Júlia é o mesmo antigo português, remoçado por um banho maravilhoso de novidade e frescura.”  

“A Semana” era uma das revistas mais conceituadas que então se editava no Rio. Dirigida por Valentim Magalhães, tinha como redatores ilustres escritores da época: João Ribeiro, Araripe Júnior e Lúcio de Mendonça. A estréia de Francisca Júlia na revista provocou grande alvoroço: os redatores não acreditavam que uma mulher pudesse escrever versos tão perfeitos. Não foi sem razão que João Ribeiro exclamou: “Isto não é verso de mulher! Deve ser uma brincadeira do Raimundo Correa!...” 

Em carta dirigida a Max Fleuiss, em 9 de abril de 1894, Francisca Júlia faz um retrospecto de seu trabalho poético:

“Devo à ´Semana´ (e creio que especialmente a V.) algum nome que tenho. Até há pouco tempo eu não tinha provado, a não ser muito de leve, o sabor deliberado de um elogio. Às vezes, muito raramente, um cronista cá da terra (S. Paulo) se lembrava de arriscar, com timidez, algumas palavras de encômios. Quase sempre não passavam de ´poetisa esperançosa se bem que pouco inspirada, mas sem pretensões artísticas´... E eu devorava essas palavras, com avidez, saboreando-as longamente. Quando publiquei a minha primeira poesia, uma balada à antiga, um dos nossos poetas, Severiano de Rezende, que, falemos a verdade, nunca fez bons versos, dedicou-me algumas linhas pela imprensa, em que me aconselhava que não escrevesse assim, se não me falha a memória: ´Minha senhora, há ocupações mais úteis, dedique-se aos trabalhos de agulha´. É inútil dizer que não aceitei o gentilíssimo conselho... Depois tive ocasião de ler um artigo de Valentim Magalhães em que estavam, com profusão, nomes femininos. O meu passou em branco. Fiquei triste. Foi essa a razão porque, acostumada a não me julgar nada, mesmo entre os versejadores da última plana, sempre me conservei arredia de todos os certames. E, entretanto, nestes últimos tempos, o meu nome já é citado nas rodas literárias com certo respeito e deferência. A quem o devo? Quero crer que à ´Semana´ e particularmente a V."

Encantado com esse talento literário que emergia, João Ribeiro, prefaciador de “Mármores”, ombreou Francisca Júlia à “trindade parnasiana”:

“Nem aqui, nem no sul nem no norte, onde agora floresce uma escola literária, encontro um nome que se possa opor ao de Francisca Júlia. Todos lhe são positivamente inferiores no estro, na composição e fatura do verso, nenhum possui em tal grau o talento de reproduzir as belezas clássicas com essa fria severidade de forma e de epítetos que Heredia e Leconde deram o exemplo na literatura francesa.”

            João Ribeiro não poupa elogios, recordando a estréia da poetisa em “A Semana”:

 

“Foi, pois, principalmente nas páginas de ´A Semana´ que a reputação de Francisca Júlia da Silva se tornou durável, válida e indestrutível. E quando ela vinha todos os sábados com o fulgor e a pontualidade de um planeta, era logo cercada da admiração e do aplauso com que todos nós a recebíamos. A sua poesia enérgica, vibrante, trazia a veemência de sonoridades estranhas, nunca ouvidas, uma música nova que as cítaras banais do nosso Olimpo nos haviam desacostumado.”

Tanto confete lançado em torno de sua estréia literária parece não ter subido a cabeça da jovem e já consagrada poetisa. Ao contrário, cada vez mais incentivada por amigos de peso, dedica-se integralmente à atividade poética, traduzindo para o português versos do poeta alemão Heine. A leitura dos românticos alemães, principalmente Goethe e Heine, marcaram a juventude de Francisca Júlia. A profª Maria de Lourdes Eleutério sintetiza muito bem essa sua predileção:

“Francisca lia versos, muitos versos, gostava dos românticos, dando preferência a Goethe e Heine, os quais traduzia, possivelmente do francês, e os publicava. Ela não copiava os versos do irmão. Na verdade, mesmo tendo publicado alguns livros, ele não era um bom poeta. Mas era jornalista e ajudou Francisca a lançar seus próprios poemas pela imprensa. Depois escreveram juntos um volume para crianças. Traduzir como fazia Francisca era um expediente muito usado e consentido. Uma atividade que ficava na penumbra, que nunca se divulgava, podia-se fazer no mais recôndito do lar”. (“Vidas de Romance”, Maria de Lourdes Eleutério, Doutora em Sociologia pela USP)

Há aqui uma injustiça quanto ao irmão de Francisca Júlia, o também poeta Júlio César da Silva. Ao contrário do que escreveu a professora Eleutério, Júlio César foi um dos mais importantes poetas de sua geração, sendo ombreado a Vicente de Carvalho.

Apesar de parnasiana na forma, Francisca Júlia também teve passagem pelo simbolismo, introduzido no Brasil na última década do Século XIX, e que teve no catarinense Cruz e Souza o seu mais destacado representante.



Escrito por Roberto Fortes às 13h23
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O TREM DE JUQUIÁ

A história da Estrada de Ferro Santos-Juquiá começa em 1906, quando o Governo do Estado autorizou a primeira de duas concessões para a construção de duas estradas de ferro com destino a Juquiá, partindo a primeira de São Paulo, e a segunda de Santos.

A primeira concessão foi autorizada pela Lei nº 1.034, de 17 de dezembro de 1906, sendo concessionária a Empresa de Colonização Sul Paulista, para a linha São Paulo-Juquiá. A segunda, em 24 de dezembro de 1907, ao engenheiro Felippe Nery Ewbank da Câmara, para a linha Santos-Juquiá (esta concessão passou, depois, para a Brazilian Railway Construction e, em seguida, para a legendária Southern São Paulo Railmay)). Ambas as concessões gozavam de garantia de juros, cessão gratuita de terras devolutas e outros favores.

Para evitar os encargos do Tesouro com o pagamento de garantias de juros (ou seja, cobrir o prejuízo) a duas estradas com o mesmo fim, o Governo do Estado promoveu um acordo entre as duas concessionárias: a Sul Paulista desistiria de sua concessão mediante indenização de 100 mil libras esterlinas, paga pela Brazilian. Estabelecido o acordo, foi assinado o contrato, em 26 de julho de 1910, aprovado pela Lei nº 1.219-A, de 24 de novembro daquele ano. A garantia de juros à Estrada de Juquiá foi fixada sobre o capital de 72:000$000 (setenta contos de réis) por quilômetro, incluído nesse preço todas as obras, aquisições e despesas necessárias tanto à construção da via férrea quanto para a abertura ao tráfego. O prazo da garantia de juros foi prorrogado por mais dez anos.

Pela leitura de algumas edições do semanário “Tribuna de Iguape” do ano de 1913, que então circulava em todo o Vale do Ribeira, conseguimos obter importantes informações sobre os trabalhos de construção dessa ferrovia.

Com data de 2 de março de 1913, o correspondente em Juquiá do jornal enviou a seguinte nota, publicada na edição nº 21, de 17-3-1913: “Com a aproximação da ponta dos trilhos da Estrada de Ferro de Santos a Santo Antônio do Juquiá, nota-se grande animação nesta villa, que será o ponto terminal dessa estrada. Vários e importantes terrenos já tem sido adquiridos aqui e nos arredores da villa, estando em construcção vários prédios, entre os quais, um que está sendo levantado pelo cap. Sylvio da Costa e Silva, especialmente para a installação de um hotel.”

Já com data de 31 de março, o correspondente registrava a presença do Dr. Fernando Paes Leme, engenheiro construtor da Estrada de Ferro no trecho entre a vila e a barra do Juquiá, que veio abastecer de víveres à turma a seu cargo. O Dr. Leme encontrava-se, então, nas proximidades da paragem Pedra Cavalo, à margem do Juquiá. Apesar do mau tempo, o engenheiro morava numa simples barraca, ao lado de seus auxiliares. O Dr. Leme era justo, mas rígido. Mantinha uma aula noturna para ensinar aos seus camaradas. “Os trabalhos da construcção da estrada no referido trecho vão bastante adiantados”, conforme lemos na Tribuna de Iguape.

Para o trecho entre Juquiá e Prainha, empreitado pelo sr. João Veloso, eram esperados uma turma de cem trabalhadores e vinte toneladas de materiais para construção.

Alguns meses mais tarde, o correspondente, escreveu: “Acha-se bastante adiantado o leito da Estrada de Ferro de Santos a Santo Antônio do Juquiá, devendo por estes dias ficar concluído o trecho desta villa ao primeiro morro do sítio Pouso Alto, tendo alli diversos cortes que logo serão terminados. O Dr. C. M. Ingledew e seus auxiliares muito tem contribuído para o adiantamento das obras, empregando todos os esforços, e com muita boa vontade remunera os seus operários, fazendo-lhes bons ordenados, que são pagos com muita pontualidade no final de cada mez; pois actualmente os ordenados variam de 4$000 a 5$000 diários.”

A linha Santos-Juquiá foi inaugurada em 5 de janeiro de 1914, quando um pequeno trem da Southern São Paulo Railway, composto de locomotiva a vapor e duas galeras (vagões abertos, tipo gôndola) chegava a Juquiá, inaugurando a Estrada de Ferro Santos-Juquiá. A estrada possuía trilhos com bitola de um metro, numa extensão de 161,5 quilômetros.

Em 1917, foram registrados três descarrilamentos de trens de carga, que resultaram em avaria do material.

Nos dias 27 e 28 de janeiro de 1922, em virtude de inundação no rio Juquiá, o trecho nas proximidades do Km 158,7, numa extensão de 100 metros, ficou sujeito a baldeação. Também devido à inundação pelo rio Itariri, no Km 121, numa extensão de 500 metros, no dia 2 de março daquele ano, o trem M-2 chegou a Santos com atraso. Ainda devido a inundações, correram os trens com irregularidade, sendo o tráfego normalizado em fins de março de 1922.

 

Essa ferrovia, a julgar pelas receitas e despesas de seus primeiros anos, era deficitária. Por exemplo, em 1921, a receita foi de 614:140$174 réis contra uma despesa de 896:593$420, o que levou o Governo a pagar uma garantia de juros no valor de 282:453$246. Já em 1922, a situação piorou: para uma receita de 648:950$456, uma despesa de 1:016:126$463, com uma garantia de juros de 367:176$007 réis. (continua)



Escrito por Roberto Fortes às 22h36
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Prosseguindo a nossa série sobre a Estrada de Ferro Santos-Juquiá, vejamos o que escreveu “A Tribuna”, de Santos, em sua edição de 5 de janeiro de 1986, em comemoração aos 72 anos da inauguração dessa ferrovia:

 

“A ferrovia, projetada e construída por engenheiros ingleses, tinha por objetivo o transporte da produção agrícola da região – principalmente banana, mandioca, arroz, café e chá – destinada aos grandes centros consumidores (como a Província de São Paulo) e à exportação via Porto de Santos.

 

“Em Juquiá, os trilhos chegavam às margens do rio que dava nome ao lugar, ´um grande bananal com alguns milhares de pés da musácea, plantados nas encostas, até onde dava para se ver sem o uso de binóculos´, segundo os cronistas da época. Na outra ponta, em Santos, a ferrovia estava assentada com trilhos de bitola métrica, no Bairro do Macuco, entre as ruas João Guerra e Borges, passando ao lado da Linha Forte Augusto (pequena ferrovia da Cia. Docas que transportava lixo e aterro entre o Morro do Jabaquara e o Bairro do Pau Grande, denominação antiga dada ao Estuário) e do vulcão calado do manguezal da Mortona. Para chegar ao cais e aos navios atracados no Paquetá, ao lado do cemitério dos ingleses, na rampa do mercado, as mercadorias seriam transportadas em carroças puxadas por muares, ´numa viagem que durava hora e meia, sem paradas para descanso, que era feita duas vezes por dia, menos nos domingos e dias santos da igreja´.

 

“O traçado da ferrovia, a partir do Macuco, contornava os morros e devido a um litígio de terras com a família Martini, no José Menino, foi feito pequeno desvio junto ao Morro do José Menino, onde foi construído um túnel de cerca de 100 metros, desembocando nas proximidades da Pedra dos Ladrões, já em São Vicente.

 

“A obra mais demorada, entretanto, foi a construção da ponte sobre o rio Barreiros, estaqueada com eucaliptos vindos do Paraná por via marítima. Esse mesmo tipo de construção de ponte foi adotado na travessia do Rio Itanhaém.

 

"A Santos-Juquiá operou como ferrovia particular e isolada até o final da década de 1920 [mais exatamente em 1927] , quando foi encampada por 600 mil libras esterlinas, incorporando-se à E. F. Sorocabana, hoje Fepasa. Para cobrir a despesa, o então governador da Província de São Paulo, Júlio Prestes, emitiu títulos da Dívida Pública naquele valor.”

 

Uma tragédia na linha de Prainha

 

Poucos sabem que a Estrada de Ferro Santos-Juquiá foi palco de uma tragédia que sensibilizou toda a região. Vamos à história, resgatada graças às edições do antigo semanário “Tribuna de Iguape”, que então circulava em todo o Vale do Ribeira.

 

Em 23 de maio de 1913, o jornaleiro (que recebia por dias trabalhados) Carlos Casemiro, de nacionalidade polonesa, assassinou a revólver o jovem Eduardo Costa, administrador-chefe dos trabalhos da construção da Estrada de Ferro de Santos a Santo Antônio do Juquiá, no trecho da antiga Prainha (Miracatu), cujo empreiteiro das obras era o sr. João Veloso.

 

Logo pela manhã, ao ouvirem os disparos, acorreram ao local o capitão Roldão Constâncio Ferreira, subdelegado de polícia; o alferes Quintiliano de Oliveira, comandante do destacamento local; e muitos populares. Encontraram a vítima tombada no Largo da Matriz, “mortalmente ferido por balas na cabeça e no peito, vindo a falecer meia hora depois”.

 

O criminoso fugiu, sendo perseguido durante seis horas pelo alferes Quintiliano e seus praças, que não encontraram a pista do fugitivo. Auxiliares do escritório dirigido por Eduardo Costa formaram uma escolta, penetraram no sertão e alcançaram o assassino no Porto da Serra, às dez horas da noite. Houve resistência armada da parte de Carlos Casemiro. Mas a escolta conseguiu capturá-lo e conduzi-lo à vila, onde foi apresentado à autoridade policial no dia seguinte e recolhido ao xadrez. O capitão Roldão Constâncio Ferreira fez o auto de corpo de delito e abriu o inquérito policial, apurando a autoria do crime.

 

Carlos Casemiro trabalhava como jornaleiro no serviço de abertura da estrada na paragem denominada Três Irmãos. Viera à Vila de Prainha no dia 22 de maio, “junto com outros jornaleiros para regularizarem seus negócios no escritório”.

 

Os jornaleiros foram atendidos pelo administrador e receberam seus pagamentos, “uns, dinheiro corrente e outros, ordens à vista para serem pagas em S. Paulo”. Todos? Não. Menos Carlos Casemiro. Por quê? Por não ter “apresentado sua caderneta devidamente visada pelo administrador da secção, não porque este se recusasse a deitar o visto, mas sim porque Casemiro não havia terminado sua tarefa”. Movido pelo ódio e vingança, o assassino decidiu tirar a vida de seu chefe. Lemos na “Tribuna de Iguape”: “E só por esse motivo, levantou-se o braço do homicida para abater uma vida necessária”.

 

Eis a trágica história que manchou de sangue os trilhos da quase centenária Estrada de Ferro Santos Juquiá.

 



Escrito por Roberto Fortes às 22h35
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Ao correr da pena...

A Pedra da Paixão

Na coluna de 30 de janeiro último, escrevi sobre a tragédia da Pedra da Paixão, em Iguape, e prometi aos leitores contar detalhes sobre esse dramático caso de amor.

 

Estamos no ano de 1923. João Teodoro (era assim chamado, mas seu nome de batismo era João Ribeiro de Aguiar) amava uma bela jovem chamada Teresa Fagundes. Mas existia entre ambos um detalhe cruel: João era pobre e Teresa, digamos, remediada. Nem é preciso falar que os pais da moça se colocaram frontalmente contrários a esse namoro.

 

Teresa foi proibida de se encontrar com João. Para comunicar ao amado essa despótica determinação paterna, a jovem passou numa papelaria e comprou um vidro de tinta roxa (naquele tempo se escrevia à caneta-tinteiro). Escreveu uma carta a João contando sobre a proibição de seu namoro com ele.

 

João ficou transtornado. Trabalhava como caixeiro na “Casa Lima”, que pertencia ao sr. José Ildefonso de Lima, mais conhecido por Juca Lifonso, vulto bastante conhecido e respeitado em seu tempo.

 

Naquele dia, João faltou ao trabalho. Logo ele, que sempre fora um funcionário exemplar. Deram por sua falta. Cadê o João? Sua família ficou preocupada. Perguntam daqui, perguntam dali, e nada dele.

 

O dono do bar contou que vendera ao moço duas garrafas de pinga (certamente, a “Cristiano”). O dono da farmácia disse que tinha vendido a ele dois frascos de arsênico, mas do homeopático.

 

Sim, todos perceberam que João fizera uma loucura.

 

Naquela noite, João não dormiu em casa. Logo ele, filho tão dedicado e responsável. Foram procurar o sr. Juca Lopes, tabelião, que era espírita. O médium disse que os espíritos lhe garantiam que o corpo de João estava sob a Pedra da Paixão.

 

Foram todos para lá. O povo e os mergulhadores. Estes, sem escafandro, só nos pulmões. Na base da Pedra da Paixão encontraram as duas garrafas de pinga e os dois frascos de arsênico.

 

Sim, todos concluíram. João fizera uma loucura.

 

Os mergulhadores vasculharam a parte submersa da pedra. Numa reentrância encontraram o corpo de João. Todo comido de siris e com as unhas levantadas para trás. Talvez passado o desejo de morrer, mas desnorteado e já sem forças devido à pinga e ao arsênico, João tentou se agarrar na pedra. Tentou desesperadamente escalar as íngremes escarpas. Mas em vão. Cansado, bêbado e sonolento, submergiu às profundezas das águas.

 

Seu corpo foi enterrado no cemitério da cidade. Quanto à Teresa, contam que vestiu luto fechado por algum tempo. Mas o tempo – em sua inexorável caminhada – passou. Teresa acabou se casando com um dono de barco e foi embora da cidade.

 

Tudo voltou à normalidade. E a Pedra da Paixão ainda lá se encontra, a se debruçar sobre o Mar Pequeno, guardando em suas entranhas a história shakesperiana de João e Teresa.

 

A enchente

O rio enche.

De suas margens, a água transborda num furor endoidecido, levando tudo o que se encontra pela frente. No céu, a chuva é uma só; há muitos dias que cai sem parar. Tantos meses de seca, tanta lavoura perdida, e agora, de repente, aparece esse mundo de água que não acaba mais. Vingança da natureza? Mas que mal o ribeirinho lhe fizera, se sempre soubera se utilizar de seus recursos com sabedoria e parcimônia?

As últimas notícias davam conta que Ribeira-acima as coisas estão bem piores. Xiririca está sob as águas e todas as orações se voltam para a protetora Nossa Senhora da Guia, que em seu altar lança o olhar benevolente sobre a cidade como se para impedir que as águas flagelem ainda mais seus fiéis.

 

Na canoa, o ribeirinho vaga pelos espaços de seu pequeno domínio, posse herdada dos antepassados, tentando resgatar as criações poupadas pelas águas. No fundo da canoa, a mulher tem os olhos vermelhos, mas não verte uma lágrima; sabe que o esposo e os quatro filhos precisam dela firme e forte. Ele recolhe algumas galinhas e vê os corpos boiando na correnteza de seus porcos e bois; tudo perdido. Da plantação, só avista as pontas que balançam sob o caminhar furioso das águas. Nada restou, além dele e a família e aquele pouco de criação.

 

Em seus quarenta e tantos anos morando naquelas terras jamais vira tanto água junta. Verdade que o Ribeira sempre foi um rio caprichoso, protagonista de enchentes espetaculares. O avô lhe contara que, pelos idos de 1807, a Vila de Xiririca fora completamente destruída pelas águas e teve que ser transferida para o local atual. Notava as lágrimas que escorriam dos olhos marejados do velho quando ele narrava essa história.

 

Logo se desvia desses pensamentos e continua a remar sob a chuva que insiste em cair. Talvez vá para o abrigo da cidade, onde outros já se encontram há dias, longe de suas terras, distantes de suas casas destruídas e de suas mobílias levadas pelas águas.

 

Enquanto rema, olha desgostoso para a mulher e os filhos, e nem sequer pensa em chorar. Seu choro, por certo, de nada adiantaria contra a fúria do rio.

(JORNAL REGIONAL, nº 814, de 20-2-2009).



Escrito por Roberto Fortes às 13h41
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Ao correr da pena...

“Sortilégios e Tesouros”

Sábado, dia 7, fui a Miracatu prestigiar o lançamento do livro “Sortilégios e Tesouros”, de meu prezado amigo e grande poeta Júlio César da Costa. Muita gente, amigos, escritores, artistas abrilhantaram a concorrida noite de autógrafos. Cultura, poesia, boa música. Encantei-me especialmente com “Tucano de Ouro”, música que Antônio de Lara Mendes compôs tendo como tema a conhecida lenda da Juréia. Lara e Júlio interpretaram a música, que arrancou calorosos aplausos do público. Júlio declamou vários de seus poemas, provando que, além de poeta e declamador, também é um excelente ator. Fiquei feliz com a promessa da prefeita Déa de dar todo o apoio à futura Academia Valerribeirense de Letras. Com a colaboração de todos os que acreditam na cultura, essa idéia logo dará os seus frutos. Afinal, cultura não é coisa supérflua: é parte integrante do ser humano. Parabéns, amigo Júlio! E fico esperando pelo seu próximo livro.

 

Academia de Letras

No último sábado, recebi a visita dos poetas Jehoval Júnior e Osvaldo Matsuda. Conversamos sobre cultura e literatura do Vale do Ribeira. E enfatizamos o acalentado projeto da fundação da Academia Valerribeirense de Letras. A idéia parece que já nasceu vitoriosa, haja vista o número de escritores, poetas, músicos, jornalistas e divulgadores culturais que vem aderindo. Para setembro ou outubro está previsto um fórum cultural para discutir e formatar o projeto. Se tudo correr bem – e tudo está correndo de acordo – a previsão é que a Academia Valerribeirense de Letras seja oficialmente fundada no dia 31 de agosto de 2010. A data é bem representativa. Francisca Júlia nasceu nesse dia. Avante, literatos!

 

Fechando bares

Em Goiás, a Polícia fechou grande quantidade de bares que funcionavam sem alvará. Essa medida acertada, com certeza, concorrerá para a diminuição da violência naquela Capital. É notório que comerciantes inescrupulosos, na ânsia de ganhar uns trocados, não hesitam em vender álcool a menores de idade. E um jovem “turbinado” pelo excesso etílico (além de outros produtos pouco recomendáveis) é capaz de provocar brigas, arruaças, além de praticar roubos, furtos e até assassinatos. Essa medida salutar da Polícia bem que poderia ser copiada aqui no Vale do Ribeira. Basta andar pelas cidades da região e constatar que existe um bar em cada esquina. E a grande maioria desses estabelecimentos será que possui alvará de funcionamento? Cabe às Prefeituras, em parceria com a Polícia, fechar esses comércios ilegais que fomentam a degradação de nossa juventude.

 

No retratista

Adolpho Chator foi um retratista que viveu em Iguape em plena Belle Époque, ou seja, de fins do século XIX à primeira década do século seguinte. Era retratista. Nos dias atuais seria chamado, grosso modo, de fotógrafo. Depois da morte do naturalista Ricardo Krone, em 1917, Chator comprou a Pharmacia Popular, pertencente àquele, situada num belo sobrado, no Largo da Matriz. Mas voltemos ao lusco-fusco do século XIX, mais precisamente ao ano de 1898. Três matutos batem à porta da Photographia Chator. “Mecê é que pinta a gente?” – perguntou um deles. “Sou, sim, por quê?” – respondeu Chator. “Nós qué sê pintado tudo junto” – explicou o matuto. “Ah, já sei, querem em grupo?” – perguntou Chator. “É mêmo” – prosseguiu o matuto –, “assim em quadrúpede...”.

 

Trabalhos de agulha

“Quando publiquei a minha primeira poesia, uma balada à antiga, um dos nossos poetas, Severiano de Rezende, que, falemos a verdade, nunca fez bons versos, dedicou-me algumas linhas pela imprensa, em que me aconselhava que não escrevesse assim, se não me falha a memória: ´Minha senhora, há ocupações mais úteis, dedique-se aos trabalhos de agulha´. É inútil dizer que não aceitei o gentilíssimo conselho...” (Carta de Francisca Júlia a Valentim Magalhães, editor da revista “A Semana”, do Rio de Janeiro, em 9-4-1894).

 

Nícia em Paris

“Paris é bonito e sedutor. O movimento nas ruas é extraordinário. As casas artisticamente feitas são muito elegantes; as ruas muito direitas, largas e bem calçadas. As lojas e cafés são deslumbrantes, reinando em toda parte grande animação. Estamos no inverno. As árvores não têm uma única folha; amanhece às 8 horas e às 4 da tarde já é preciso luz! O sol aparece pálido e frio, e por vezes tenho visto cair neve. Tenho bastante saudade das minhas verdes árvores, do sol quente e claro do meu Brasil; enfim é preciso suportar tudo pela arte que tanto adoro!” (Carta de Nícia Silva, cantora lírica nascida no Vale, ao maestro iguapense Joaquim José Rebello, seu velho mestre, em 1904).

 

Frase

“Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro.” (Albert Camus, escritor argelino de expressão francesa, Nobel de Literatura em 1957)

(JORNAL REGIONAL, nº 813, de 13-2-2009).



Escrito por Roberto Fortes às 15h39
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Poeta Júlio Costa lança "Sortilégios e Tesouros"

O poeta Júlio Céar da Costa.

MIRACATU – Com o plenário da Câmara Municipal completamente lotado, o poeta Júlio César da Costa lançou, no sábado, dia 7 de fevereiro, o seu mais recente livro, “Sortilégios e Tesouros – Poemas, Causos e Lendas do Vale do Ribeira”. A noite de autógrafos foi prestigiada por vários poetas e escritores do Vale do Ribeira, além da prefeita Déa Fátima Leite Moreira da Silva.

O Grupo Batucajé, do qual Júlio Costa faz parte, animou a noite com belíssimas apresentações musicais. Antônio de Lara Mendes, um dos fundadores do grupo, ao lado de Júlio, cantou a música “Tucano de Ouro”, que foi bastante aplaudida pelo público. Outros artistas, como Carlos Malungo, também deram um brilho todo especial ao evento literário. O Júlio César, que além de respeitado poeta é experiente declamador, recitou e encenou vários de seus poemas, entre os quais, “Nego d´água”, em parceria com o artista plástico Osvaldo Matsuda.

A prefeita Déa, em aplaudido discurso, destacou o fato de que a cultura em Miracatu está passando por um momento muito especial, com a participação de muitos poetas, artistas, músicos, o que vem enriquecendo a cidade. A prefeita ainda destacou que está para ser criada na região a Academia Valerribeirense de Letras, e prometeu dar todo o seu apoio para a concretização desse projeto.

O escritor e jornalista Jehoval Júnior, autor de “Tarsila Eterna”, leu o Manifesto dos Escritores do Vale, que lançou a idéia da fundação da Academia de Letras. Entre os escritores presentes ao lançamento do livro, estavam Roberto Fortes, colaborador do Jornal Regional, o historiador Paulo de Castro Laragnoit, Osvaldo Matsuda, Nestor Rocha, Renato Cavalheiro, Paloma dos Santos e Genésio Júnior.

Poemas do poeta Júlio César da Costa podem ser lidos no blog “Literato do Vale”: http://literatodovale.blogspot.com.

Serviço:

Livro: “Sortilégios e Tesouros”

Editora: Inteligência, de Peruíbe

Páginas: 200

Contato: jcosta1991@itelefonica.com.br

Fotos da Noite de Autógrafos

 

 Osvaldo Matsuda, Antônio Lara e Júlio Costa executam “Nego d´água”.

 Jehoval Júnior lê o manifesto da Academia de Letras.

  Autores reunidos: Genésio Júnior, Renato Cavalheiro, Marcos Mendes (Ed. Inteligência), Jehoval Júnior, Júlio Costa, Osvaldo Matsuda, Nestor Rocha (agachado), Paulo Laragnoit, Roberto Fortes e a prefeita Déa.

Grande público prestigiou Noite de Autógrafos.

 

 



Escrito por Roberto Fortes às 14h46
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