| |
CULTURA
Artistas do Vale

Osvaldo, Jehoval, Nestor e Martins Jr.
No dia 24 de dezembro, véspera de Natal, como se fosse um inesperado mas bem-vindo presente, recebi a vista de quatro amigos que trabalham pela cultura do nosso Vale do Ribeira: o jornalista e escritor Jehoval Júnior, que me trouxe um exemplar autografado de seu livro recém-lançado "Tarsila Eterna"; o artista plástico, escritor e poeta Osvaldo Matsuda, que lançou recentemente "FP ou PF e PF"; e os poetas Nestor Rocha e Martins Júnior. Todos eles são naturais de Miracatu, onde têm forte atuação no campo da literatura, das artes e da cultura em geral. Jehoval Júnior falou sobre o seu livro "Tarsila" e lançou a idéia de congregar todos os autores do Vale numa academia cooperativada, que atuaria como fomentadora e divulgadora dos trabalhos desses autores, publicando livros e revistas. A idéia, ainda no nascedouro, deverá ser regada e repassada aos demais autores regionais e, com o apoio e o empenho de todos, quem sabe num futuro próximo essa semente poderá germinar e dar frutos.
Escrito por Roberto Fortes às 15h39
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Ao correr da pena...

Fonte: http://img168.imageshack.us/img168/934/natalrenazo0.gif
Conto de Natal
Gostava de contar às criancinhas que Papai Noel não existe. "Seu pai é quem dá o seu presente, ô, fedelho!". Para os órfãos falava: "Se você não tem pai, azar o seu, aí é que Papai Noel não existe mesmo pra você!". Sentia algo parecido com o êxtase quando notava escorrerem as lágrimas furtivas dos olhos dos pequenos e, mais ainda, aquele arfar de peito, aquele suspiro dolorido e profundo que eles pareciam trazer lá do fundo de suas almas, agora, e para sempre, desencantadas.
Desde que se dera por gente, sabia que Papai Noel não existia de verdade. Aos quatro anos de idade já sabia que tudo não passava de uma grande farsa armada pelos adultos para ludibriar os pequenos. Quem lhe contara que Papai Noel não existia fora o seu vizinho, um molequinho de oito anos, que ouvira isso da boca do pai enquanto espancava a mãe, à sua vista: "Tome, desgraçada, nós vivemos nesta miséria e você ainda gasta R$ 10,00 pra comprar esta porcaria de carrinho pra este pentelho que eu nem sei se é meu filho! Tome, vadia!". Daí, quando ganhou aquele ursinho de pelúcia que lhe provocava homéricos espirros, já sabia de velho que fora o seu pai quem comprara na loja ali da esquina, onde todos os pais da cidade compravam os presentes de Natal para os respectivos filhos.
Até os nove anos, os seus pais ainda disfarçavam, buscavam furtivamente os presentes no quarto e, sorrateiramente, traziam-nos para a sala e, sempre disfarçadamente, dirigiam-se a ele: "Veja só, filho, Papai Noel acabou de chegar e mandou entregar este presente pra você! Que lindo, né? Gostou, filho?". Ele se limitava a manear afirmativamente a cabeça, mas pensava com os seus botões: "Que saco, será que vocês não sabem que eu sei que essa porcaria de Papai Noel não existe?".
E assim atravessou a juventude, já inteiramente alheio às comemorações natalinas, que lhe causavam tanto asco, pois lhe recordavam a infância desencantada quando já não acreditava na existência de Papai Noel. Até que, na noite do Natal presente, ao procurar um par de meias em seu guarda-roupas, encontrou o seu velho ursinho de pelúcia, aquele que lhe provocava homéricos espirros.
Com os olhos rasos d´água, amaldiçoou o pai de seu amiguinho de oito anos que destruíra para sempre de seu espírito de criança a existência de Papai Noel. Naquela noite, chorou todas as lágrimas que não conseguira chorar durante toda a sua vida. E bendisse as criancinhas que ainda crêem no Bom Velhinho.
Nasceu o Salvador
E Deus realizou a Sua vontade. Movido por divinal inspiração, o Supremo Criador moldou o Seu filho em carne e osso e concedeu a uma Virgem o privilégio de gerá-Lo.
Foi numa bela noite de dezembro, colorida por estrelas faiscantes, entre as quais uma se destacava por seu brilho singular. Num estábulo, vinha ao mundo Aquele cuja missão era salvar do mal toda a humanidade.
Colocado numa modesta manjedoura, Ele, recém-nascido, sorria. E o Seu sorriso era de paz, de amor, de fraternidade. Era o prenúncio de que dias melhores e mais justos estariam por vir. E Ele, o Filho de Deus feito homem, seria o realizador dessa missão evangelizadora que mudaria os destinos da pecadora raça.
O Menino-Deus, Aquele cuja sina era distribuir amor, paz e justiça, nascia na pequenina Belém, entre o aconchego terno dos pais e aquecido pela respiração morna dos ruminantes.
Naquela noite, a Noite da Natividade, nascia o Salvador do Mundo. Aquele que, no vigor dos seus 33 anos, seria estupidamente condenado e morto por seu próprio povo. Aquele que morreu para redimir toda a humanidade.
Natal. Comemorando o nascimento do Cristo, nessa data tão significativa para a Cristandade, há entre todos uma aura de fraternidade, que nos envolve e nos faz pensar no próximo, naquela pessoa que ignoramos durante todo o ano e que, no Natal, dirigimos-lhe um sorriso franco e um abraço acolhedor.
Natal. E o mundo em festa comemora essa data. Esquecemos, então, do ódio, das desavenças, de todos os sentimentos mesquinhos que permeiam a nossa humana raça, e, orando a Deus, tentamos nos encontrar com nosso irmão Jesus, Filho de Deus.
Boas Festas
Aproveitando o ensejo, desejo aos leitores amigos, que durante todo o ano acompanharam as minhas crônicas, os mais sinceros votos de Boas-Festas, com um Natal feliz e um Ano Novo repleto de paz, amor e fraternidade!
(JORNAL REGIONAL, nº 805, de 19-12-2008).
Escrito por Roberto Fortes às 13h30
[]
[envie esta mensagem]
[link]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|